10 de setembro de 2015

Um dia me senti pior

Aí fiz as visitas aos médicos. Ortopedista, clínico, cardiologista, até que fui diagnosticada com fibromialgia (FM, fibro ou como diz uma amiga 'somos mulheres com fibro e de fibra').

Já estava longe de casa havia 5 meses, mesmo com visitas que algumas vezes duravam 48 dias para acontecer, estava suportando a distância. Até que por coincidência o psiquiatra que atende numa cidade próxima estaria lá naquele final de semana. E assim fui para aquela consulta que adiei por meses.

Sabia que não estava bem, já estava fazendo o tratamento para a fibro direitinho, fazendo pilates, mas o sono era irregular, a tristeza pela distância e diferenças culturais (além de outras coisas que não posso citar por ética) me afetavam de uma forma não tão normal quanto antes. Muitas dúvidas e problemas a resolver. O que seria do meu nosso futuro? As incertezas eram demais.

Até que a pessoa com a qual ia fazer a permuta me dá a notícia de que não iríamos fazer a troca, perdi o chão. Entrei em contato com o RH da unidade dela e me garantiram que eu poderia ir e devolveriam o código de vaga.

Primeira perícia após o afastamento. Terrível. Saí pior que entrei, mas fiquei afastada.

Vários problemas a serem resolvidos,  não só os próximos passos.

Novo afastamento, nova perícia. Senti falta do primeiro perito. A perita que me atendeu me disse 'estou te fazendo um favor'. 

Depressão agora tem nome de favor.

Então resolvi desabafar com um amigo. Pessoa muito amada e querida por mim e que tem uma trajetória de superação dia após dia. Nos conhecemos a um bom tempo. Brinquei com ele dizendo que um dia iria parar no candomblé e a resposta foi direta e certeira 'eu sempre soube disso'. Engoli seco do outro lado das mensagens. Aí ele me perguntou se eu faria um ebó que ele me passasse. Claro! Além da amizade tenho confiança para entregar a minha cabeça à ele. 

Seguindo tudo à risca. E assim dormi a primeira noite em meses sem remédios, sem acordar pela madrugada e ficar zanzando e nem ter uma insônia de invejar quem dorme. Sensação de paz e tranquilidade. De que haverá o meu lugar ao sol, mesmo que a caminhada seja lenta e tortuosa. 

Não posso esquecer que não vim ao mundo a passeio e sim a trabalho, muito trabalho.

P.S.: Meu querido, muito obrigada. Se mandar, eu obedeço!